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15 minutos. Uma conferência de 15 minutos. Ele pulou o fosso da Concha Acústica, que separa o palco da platéia, e deu início ao seu falatório. O que deveria dizer exatamente? Não sabia. Sua cadeia de associação livre o levou, livremente. Parte da sua conferência foi sobre a mãe de um dos músicos que abriria seu show: Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta. Ester Kopinski. Ester, prima de minha mãe, é mãe de Serginho, meu irmão. Confuso. Quando moça fez, aqui na Bahia, parte do CPC (Centro Popular de Cultura). Foi amiga de Tom, de Harildo, de Gil e segundo as palavras do Zé foi musa de Capinan. O CPC era um centro de produção intelectual entre jovens que antecedeu o tropicalismo. Ele voltou ao palco, dessa vez atravessando uma ponte e o show de Ronei começou. Sobre Ronei e Os Ladrões falo em outro momento, hoje quero contar de Zé, ou de Tom. O show dele. Foi curto, mas intenso. Ritmado e “desritmado”. Um tropeço na caixa de som deixou o público assustado. Apenas um susto, estava tudo bem. Falou sobre suas músicas, fez propaganda de seus CD´s e questionou a platéia como tinham coragem de sair pela rua, em tempos de guerra, sem capacete. Eu, garota precavida, sempre levo meu capacete amarelo na mala do carro. O show foi uma cadeia de sons, tão livres quanto as suas associações. Quando escuto Tom Zé sempre me passa uma sensação de inquietude, um ir além do que se “pode”. E isso ele mostra na sua produção, na sua não convenção, na sua conferência. Para que por a palavra na música? Seu último disco não tem palavras, tem onomatopéias. E no refrão do “atchim” mostrou a platéia que seus 72 anos estão invertidos.
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No fundo, ele tem apenas 27.

1 Comentário
Setembro 19, 2008 às 1:40 pm
Gostoso seu texto, interessantes suas memórias. Felizes as referências.
Também admiro Tom Zé, um sujeito divertido e um músico inadjetivável a quem entrevistei um dia para Tribuna da Bahia…